21/09/2010 20:35

Pessoas com personalidade pessimista correm mais risco de ter doenças cardíacas

 

Se você for pessimista, cronicamente preocupado, estressado, e fica pouco à vontade socialmente, você pode correr um risco maior de ter um ataque cardíaco e outros problemas do coração.

Um estudo, re-análise de dados de 19 estudos com mais de 6.000 indivíduos, indica que pessoas com histórico de doença cardíaca que são propensas a pensamentos negativos, tristeza e inibição – um perfil de personalidade conhecido como tipo D (a sigla D vem de “distressed”, ou em português, “angustiado”, “aflito”) – têm quase quatro vezes mais probabilidade de sofrer ataque cardíaco, insuficiência cardíaca, distúrbios de ritmo cardíaco e morte por essas causas.

 

Os pacientes de coração com personalidades do tipo D foram 3,7 vezes mais prováveis do que aqueles com outros tipos de personalidade a ter problemas cardíacos no futuro. Além disso, os pacientes do tipo D tinham três vezes mais probabilidade de ter depressão, ansiedade e outras formas de sofrimento emocional.

 

A ligação entre o risco do coração e personalidade tipo D persistiu mesmo após os pesquisadores levaram em conta se os participantes do estudo eram depressivos. Isto sugere que a personalidade tipo D apresenta um risco para a saúde independente da depressão, uma condição que aumenta o risco de doença cardíaca.

A personalidade tipo D foi proposta em meados da década de 1990, e se caracteriza por emoções negativas como ansiedade, frustração e raiva, e, ao mesmo tempo, alta pontuação na inibição social, o que significa que eles são menos propensos a revelar emoções.

A personalidade tipo D foi modelada após as mais conhecidas personalidades tipo A e B, que nasceram de pesquisas do coração realizadas nos EUA na década de 1950. Agressividade, impaciência e hostilidade são características da personalidade de tipo A que têm sido associadas a um risco aumentado de doença cardíaca.

Segundo os pesquisadores, existe uma ligação clara entre risco cardíaco e fatores de risco psicológicos, e as pessoas que têm essa personalidade e falta de apoio social têm maior risco de problemas de saúde.

Os especialistas ainda não entendem completamente por que a personalidade tipo D parece afetar o risco cardíaco. Genes podem ser parcialmente responsáveis, mas o estresse crônico associado com características da personalidade tipo D também é um provável culpado. Altos níveis constantes de um hormônio do estresse, cortisol, é um conhecido fator de risco de ataque cardíaco.

Personalidades do tipo D também podem estar ligadas com fumo, álcool em excesso, alimentação exagerada e outros comportamentos pouco saudáveis, que eles aplicam como uma maneira de lidar com suas emoções. E, segundo os pesquisadores, os tipos D são menos propensos a se exercitar, e não costumam aderir a tratamentos médicos ou conselhos de seus médicos.

 

Os resultados da pesquisa sugerem que os médicos devem perguntar aos pacientes sobre seus sistemas de apoio social, em um esforço de identificar aqueles que podem ter características de tipo D. Para esse fim, os pesquisadores desenvolveram um questionário que classifica os pacientes a partir de 14 indicadores – frases como “Eu tenho uma visão pessimista das coisas” e “Eu acho difícil começar uma conversa”, se aplicam a pessoas com personalidade do tipo D.

Pessoas com personalidade tipo D não estão condenadas a problemas cardíacos, mas devem estar cientes de seus riscos e tomar precauções, tais como inscrição em reabilitação cardíaca, se já tiveram um ataque cardíaco.

Segundo os pesquisadores, eles também podem se beneficiar de aconselhamentos, para que possam aprender a lidar com situações cotidianas de estresse de uma forma mais adaptável. Existem algumas ferramentas e ações que essas pessoas podem tomar para se livrar das emoções negativas que guardam para si.

 

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